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Space Shuttle

Depois que montei a lendária Vostok, que conduziu pela primeira vez com sucesso, um humano na órbita da Terra, me interessei pela temática e de lá para cá adquiri o kit do Space Shuttle e do Saturno V, ambos Revell e na escala 1/144, a mesma do Vostok da Airfix. Pela experiência da montagem do Vostok resolvi colocar o Shuttle em montagem logo a seguir. O kit da Airfix, da para ser  considerado um bom kit, pelo grau de detalhamento e versões oferecidas de montagem. Já o Space Shuttle da Revell deve muito em termos de detalhamento, podendo ser classificado como um brinquedo se montado como vem na caixa. Sendo assim, aproveitei para testar nele diversos materiais, acabamentos e técnicas de execução, se transformando em um laboratório de montagem. O kit é composto além do Space Shuttle, do tanque de combustível, dos dois foguetes propulsores e da base de lançamento móvel.

Como o Shuttle demandaria mais trabalho e teste de materiais, resolvi começar a montagem pela base móvel, a qual seguindo a pobreza de detalhes do kit, lembra somente em forma a base que era utilizada. Trabalhei nas esteiras e rodantes dos tracionadores, fazendo as rodas em papel, usando vazador para couro. As esteiras tiveram  suas sapatas separadas, melhorando bastante o seu visual. Para a superfície principal, juntei peças e sucatas e comecei a dar forma a ideia de deixa-la com um aspecto melhor do que o original. Com o guarda corpo que sobrou da montagem de um barco, fiz o guarda corpo da da plataforma.

Enquanto pesquisava qual o material que seria usado no revestimento do Shuttle, comecei a montagem do tanque de combustível principal e foguetes propulsores reutilizáveis. Os dois foguetes foram montados bem rápido, ficando a ressalva da aplicação das decais. Todas as que tive que aplicar e que circundavam sua superfície, nenhuma delas tinha o diametro exato, faltando sempre uns 2 a 3 mm, mas nada que uma tinta preta, amarela e vermelha não resolvesse, mas fica o registro.

Ao pesquisar sobre o tanque de combustível principal, vi que este era coberto por um revestimento de proteção que imagino seja poliuretano, dando a ele uma superfície rugosa, sendo que na seção frontal, talvez pela inclinação e forma de aplicação, este revestimento fica semelhante a camadas. Como tenho utilizado em algumas montagens spray de baixa pressão, algumas cores por mais que agite a lata ficam rugosas ao serem aplicadas em superfície lisa. Se nas montagens em escalas menores pode atrapalhar, para o tanque seria ideal porque conseguiria representar a textura da cobertura. Para o “nariz” enrolei e colei fio de linha com pequeno espaço entre as voltas. Apliquei a tinta “crespa” e depois de seca retirei a linha e pintei com a cor definitiva. Com a pintura do tanque e adesivagem dos foguetes, estava concluída mais uma etapa da montagem. Para fixar este conjunto à base, aproveitei o apoio onde os foguetes deveriam ser colados e aparafusei-os.

Durante a montagem das partes anteriores, vários foram os testes para revestimento do Shuttle, para a superfície de menor atrito, ele é revestido com um material que parece placas “acolchoadas” brancas. Primeiro tentei achar uma fita adesiva que tivesse uma textura semelhante. De cara descartei fita crepe e micropore. Procurava em tipo de fita usada anos atrás para curativos, ela era feita com um material sedoso, mas sua textura era de tecido, mas fiquei sabendo que não era mais fabricada e foi substituída pelo micropore. Nesta busca, encontrei uma fita adesiva, à base de água, utilizada para reparo em telas de pintura. Sua textura era boa e o material permitia o corte das placas. Assim comecei a aplicar placa por placa, mas depois de alguns dias aconteceu o que mais temia, que a fita perdesse aderência, já que estava aplicada sobre uma superfície não porosa. Como resultado tive que remover e voltar o projeto a estaca zero. Diante destes acontecimentos, resolvi trabalhar em cima da primeira ideia, o uso de esparadrapo comum, que havia descartado em virtude do difícil manuseio para aplicação das placas. Para eliminar a colagem placa por placa, cortei o esparadrapo em placas maiores e com um ferro de solda, marquei em baixo relevo a fita, dando o formato das placas e sua união, sendo que todos os processos e tentativas este foi o que melhor representou o revestimento real.

O próximo desafio veio do revestimento de placas cerâmicas, das zonas de maior atrito. Para o revestimento da superfície inferior das asas e fuselagem, achei uma gravura na internet, a qual só tive o trabalho de coloca-la na escala, imprimi-la e aplica-la com cola de contato em spray. Após a colagem apliquei verniz acrílico semi brilho sobre a superfície do papel. Para o nariz, bordos das asas e deriva, desenhei e colori as placas no autocad.

Revestido desta forma multi mídia e totalmente alternativa, a nave recebeu os decais do kit, onde escolhi o nome do Endeavour, que foi usado em homenagem ao barco do Cap. Cook. Como a superfície “branca” sofria com a exposição as intempéries, não me preocupei com sua limpeza, sendo que alguns efeitos de sujeira, são reais, resultados do intenso manuseio durante a montagem.

   

 

Foi um projeto que pela quantidade de experimentos, levou dez meses para ser concluído, claro que neste período outros kits foram montados, até porque não gosto de trabalhar somente em um projeto.

Espero em breve completar a trilogia espacial com a montagem do lendário Saturno V.